O que é Tecnologia – parte 1?

18 de janeiro de 2013

TECNOLOGIA COMO EPISTEMOLOGIA

A palavra “Tecnologia” tem sido usado de forma altamente indiscriminada, confusa, e muito abrangente. É fundamental entendermos cada um dos sentidos de acordo com Pinto (2008, p. 219).

Existem pelo menos quatro significados principais da palavra. O Primeiro: tem a ver com o seu sentido etimológico significando teoria, ciência, estudo, artes, habilidades do fazer. É o logos da técnica. O Segundo: equivale necessariamente a técnica. A mais frequente e popular das definições. Também chamado de Know How. Nesta definição há intensas confusões sociológicas e filosóficas. A Terceira: diz respeito ao todo o conjunto de técnicas existentes em uma sociedade de modo geral. Neste caso dá-se um sentido altamente genérico, pouco rigoroso e de caráter global. O quarto e principal sentido é o de ideologização da técnica.

Na qualidade de ato produtivo, há sem dúvida uma ciência da técnica e tal ciência admite-se ser chamada de TECNOLOGIA. Embora não muito frequente na boca dos técnicos e profissionais em geral, traz em si o o significado radical, primordial. A técnica configura um dado da realidade objetiva. A Tecnologia investiga essa realidade. Pinto (2008, p. 221) faz uma excelente comparação entre a técnica e a tecnologia:

“A técnica como um dado da realidade objetiva, um produto da percepção humana que retorna ao mundo em forma de ação, materializado em forma de instrumentos e máquinas, e entregue a transmissão cultural, compreende-se haver obrigatoriamente a CIÊNCIA QUE O ABRANGE EXPLORA, dando em resultado um CONJUNTO DE FORMULAÇÕES TEÓRICAS, RECHEADAS DE COMPLEXO E RICO EM CONTEÚDO EPISTEMOLÓGICO”.

Esclarecer estas definições não são suficientes, mesmo porque a grande necessidade atualmente é de se construir a ciência da técnica e chegar isso aos ouvidos dos técnicos, que definitivamente refletirão sobre os aspectos do seu trabalho profissional, alcançando a imagem teórica de sua realidade existencial. Assim os técnicos terão condições de EXPLICAREM O QUE FAZEM E DE EXPLICAR A SI MESMOS PORQUE O FAZEM.

Pontos de vistas inadequados são comuns quando o assunto é TECNOLOGIA.. Mesmo naqueles que dominam certas áreas do conhecimento, mas CARENTES DOS INDISPENSÁVEIS FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS para emitir qualquer julgamento eficaz decorrente da MEDITAÇÃO FILOSÓFICA.

Os técnicos infelizmente por não ter uma formação crítica-reflexiva, mostram-se muitas vezes incapazes de apreciar a NATUREZA do trabalho que exercem todos os dias. É LAMENTÁVEL  o fato de que as mais importantes definições de tecnologia não advir da contribuição prazerosa dos técnicos praticantes. O resultado disso é que a TEORIA É FEITA PELOS PRÁTICOS e eles nem suspeitando que estão fazendo isso. Do outro lado, A PRÁTICA sendo imaginada pelos TEÓRICOS que sobre elas ESPECULAM com intensa e grandiosa falta das vivências autênticas e ainda fazendo julgamentos muitas vezes incoerentes.

A práxis portanto só poderá tem caráter EPISTEMOLÓGICO reconhecido, quando na vida real os técnicos não se oporem ao saber, ou seja, peça-a com uma sede tão intensa como um homem num deserto causticante. Isso ocorrerá quando o trabalho e suas técnicas usadas, deixarem de serem motivos para a visão míope, cuidnado somente da operação dos aparatos técnicos, mas ADQUIRINDO SENTIDO OPOSTO:  sendo o ponto de partida particular e concreto para SUPERAR TODO LIMITE, E PERCEBER O UNIVERSAL contido em cada forma de técnica ou ato de produção.

A técnica não precisa deixar de ser específica em seu exercício, mas em vez de ESTREITAR deve DETERMINAR A DESCOBERTA de conceitos GERAIS, UNIVERSAIS configurados do ato técnico particular. Ou seja, será o momento em que o técnico não se identificará com a técnica particular, mas dominará. Não será dominado, mas passará a DOMINAR O QUE PRATICA E EXECUTA. Entendo, sabendo o que significa, quanto vale, e quais as verdadeiras finalidades. Enfim, O DOMÍNIO TEÓRICO DA TÉCNICA PELO HOMEM LIBERTA-O DA SERVIDÃO PRÁTICA À TÉCNICA, que atualmente parece ser o seu modo de vida.

Assim pode-se falar em uma epistemologia da técnica que não é necessariamente fundada na relação do homem com a natureza, mas dos homens uns com os outros.

AS CONCEPÇÕES INGÊNUAS DA TECNOLOGIA FEITA PELOS TÉCNICOS

É nítido o fato de que tanto os técnicos quanto os pensadores ficam distantes um do outro, mas com os olhos no mesmo objeto, tentando investigá-lo, mas incapazes de juntos procederem a melhor das interpretações para alcançar um compreensão profícua.

Infelizmente a condição dos filósofos e pensadores não é razoável. Obrigados a se ocupados a se preocuparem com CANHESTROS E INÁBEIS FILOSOFEMAS , principalmente por parte dos “economistas” que se levantam na mídia em geral. A consciência destes filósofos poderá ser observada por meio dos que se dizem entendidos na “tecnologia”, usando conceitos altamente alienantes como por exemplo o de “explosão técnológica”, “tecnoestrutura”, “cultura de massas”, na verdade não passam de porta-vozes de INTERESSES SOCIAIS e que pertecem a porções menores da sociedade, embora DOMINANTES.

A consciência crítica  é aquela que toma consciência de seus determinantes no processo histórico da realidade, sempre porém APRENDENDO O PROCESSO EM TOTALIDADE e não baseado e m interesses individuais privados. O pensar dos “pensadores” da “civilização tecnológica caracteriza-se pela NEGAÇÃO DA TOTALIDADE. Só merece ser julgado crítico o pensador que considera determinante do seu pensamento o estado real de existência da HUMANIDADE EM TOTALIDADE.

A teoria epistemológica da técnica deve ser obra da consciência que maneja com rigor os instrumentos da lógica dialética.

O CONCEITO INGÊNUO DE “EXPLOSÃO TECNOLÓGICA”

O conceito torna-se ingênuo no sentido de que falta a sensibilidade histórica para tal questão. Mas a aparente “explosão” tecnológica se revela de forma contraditória de 2 formas: a) a acumulação histórica do saber e da prática social é uma realidade mas nada difere das épocas anteriores. b) a figura de “explosão” de hoje contém em si a própria NEGAÇÃO!

Toda época, a humanidade sempre acreditou em cada momento estar vivenciando uma fase de esplendor. Épocas marítimas, a imprensa, teorias astronômicas. Enxergar “explosões” tecnológicas em todos os lugares, parece ser uma impregnação psicológica deixada no espírito dos estudantes e sem preparo filosófico O primado da tecnlogia sobre o homem RESUME O DOGMA FUNDAMENTAL DO CREDO TECNOCRATA.

Toda ação humana tem caráter técnico pela simples razão de ser humana. Por este motivo vemos na técnica aquilo que chamamos “existencial”, um traço distintivo da realidade do ser do homem (p. 239).

Toda técnica, seja a de um procedimento operatório manual ou mental, seja consubstânciada numa máquina fabril, está vinculada a exigências sociais de produção, sentidas pela comunidade e resolvidas pelo gênio indidual (p. 241 – “A história e a historicidade das técnicas)

A PRÁXIS SOCIAL E A DOUTRINA “TECNOLÓGICA” 

Toda práxis visa realizar o SER DO HOMEM, ou seja, com o domínio cada vez mais ativo do mundo onde se acha. O home é um ser vivi compelido biologicamente diferente do animal. O homem diferente do animal possui práxis. A animal está condicionado ao estado do meio ambiente.

O homem é um animal “prático”. Cada homem possui constitui-se um autônomo porque se interioriza, mediante a particular reflexão.

A suprema imposição MORAL e humanista dos dirigentes de nossos dias consiste em aproximar o homem e a técnica, em fazer as massas ingressarem na “era tecnológica” para a salvação delas. Assim, os tecnocratas ascendem; governar transforma em técnica como outra qualquer.

A alienação do país em totalidade, a substituição de sua consciência de si POR OUTRA, inculcada de fora e imposta por TODOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO moderna representa a expressão máxima da nocividade da tecnologia empregada na função de arma de INSENSIBILIZAÇÃO, ENFEITIÇAMENTO E ESPOLIAÇÃO, quando manejada INTENCIONALMENTE por agentes de interesses antinacionais, em condições de inicial e débil amadurecimento da consciência de si da nação atrasada.

TÉCNICA, TECNOLOGIA E SUA DOMINAÇÃO

A tecnologia de origem externa serve de instrumento para melhora e aceleração do desenvolvimento de uma nação retardada se esta for uma aquisição de LIVRE  escolha porte parte de seu centro de poder político, que tem objetivosda autêntica consciência em si, ou seja, de suas massas trabalhadoras.

Quando porém, a tecnologia for um presente ou uma imposição de potências hegemônicas, necessariamente exercerá efeito frenador sobre o desenvolvimento do processo da CONSCIÊNCIA EM SI no pais recebedor, ao mesmo tempo que poderá estimular um limitado crescimento local, que deixa os dirigentes felizes do momento, os quais atribuem à própria operosidade e visão dos estadistas.

Prof. Fabio N. Miranda (fabioNmiranda.com.br)

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