Sociedade e Tecnologia – parte 1

11 de junho de 2012

A Sociedade e a Tecnologia são assuntos pertinentes na era em que vivemos. A técnica, a tecnologia algumas vezes podem trazer dúvidas quanto aos seus significados; e em conjunto com a sociedade pode demandar reflexões importantes. Um panorama sobre a sociedade ao longo da história tendo como alvo a técnica e a tecnologia se faz necessário para melhor entender nosso século e aprender com o passado, visando um futuro melhor e mais educativo.

Os nascidos neste geração também chamada de “nativos digitais”, nascem sob o signo de vertiginosas mudanças que a tecnologia promoveu. Vivemos em um mundo que é resultado de diversos fatores históricos, de um processo histórico na qual trouxe mudanças significativas na vida da humanidade, principalmente do homem, especialmente após o nascimento da Filosofia grega, onde está as bases para o pensamento da cultura ocidental e principalmente a partir do Século XVII quando flui os conceitos de ciência e tecnologia.

1. A concepção do saber científico nasceram na Europa com a revolução científica e filosófica do século XVII. As invenções, o reviver das artes mecânicas, das descobertas geográficas, políticas forjaram as condições para a era da razão e mudaria profundamente o modo de viver e pensar da humanidade e principalmente dos homens.

2. Depois da revolução industrial ocorre a transformação da técnica e o surgimento da tecnologia de base científica, ou seja, os conhecimentos científicos são utilizados de maneira prática e transformando o mundo.

3. O desenvolvimento da técnica, da ciência e tecnologia devem ser entendidos no contexto social, político, econômico e cultural porque todas estas atividades não são isoladas, pelo contrário, fazem parte de um todo, possuem uma relação histórica do homem com a natureza no sentido de criar instrumentos de superação impostas pelas forças naturais.

4. No mundo antigo, os sacerdotes detinham o “poder” de serem os guardiães do conhecimento “científico” que poderia estar associado ao calendário e ao ano agrícola, o que significava poder sobre o povo. Isso pode ser observado nos povos e na sociedade da Mesopotâmia ou no Egito Antigo.

5. No século IV a.C civilizações orientais aparecem: sumérios, caldeus, babilônicos, assírios na Mesopotâmia, egípcios no vale do Nilo; aramaicos, fenícios e hebreus na costa oriental do Mediterrâneo. Os sumérios desenvolvem um sistema de pesos e medidas, a aritmética; os babilônios a álgebra para equações matemáticas e geometria. As formas de linguagens eram de natureza religiosa. A instrução literária era reservada somente para os sacerdotes; a matemática era importante na antiguidade, mas somente adquiriu status de disciplina no mundo grego.

6. O calendário baseado nas fases da Lua e estações do ano são criados no Egito por volta de 2800 a.C com 365 dias; assim dividindo o dia em 2 períodos de 12 horas. No antigo Egito prevalecia a monarquia teocrática dos faraós desenvolvendo sistemas de irrigação; engenheiros construindo grandes templos, palácios, túmulos, navios tendo como conhecimento técnico os princípios da mecânica.

7. Os ofícios como:  marceneiro, barbeiro, pastor, oleiro, pedreiro, jardineiro, tecelão, sapateiro, caçador o candidato deveriam ser aprendidos baseados na observação e na imitação dos adultos que exerciam suas atividades; aprendiam “vendo” os adultos e suas habilidades. Os egípcios eram mestres em mineralogia, metalurgia e vidraçaria. Os conhecimentos de medicina eram avançados. No ocidente devido ao comércio o desenvolvimento naval; em 1200 a.C o homem aprende a fundir o ferro; surge a invenção dos aquedutos em 700 a.C. A moeda nasce no século VII a.C no reino da Lídia.

8. Mas é na Grécia, entre os séculos VI e IV a.C que nasce o pensamento metafísico, via o pensamento racional. A ideia de teoria, theoreo, significando contemplação, com os olhos do espírito nasce também, longe da atividade experimental. E também nos gregos que nasce o conceito de techné, que não se limitava a contemplação e somente reflexão, mas em resolver problemas de forma prática, ligadas a conhecimentos e habilidades profissionais. 

9. Para Platão (428 a 348 a.C) a técnica estava ligada à capacidade de mensuração, um certo domínio da matemática. O homem deveria visar a cultura não para o ofício (techné), mas para a educação (paidéia), ou seja, a investigação teórica sobre a aplicação técnica. Aristóteles aluno de Platão, a técnica dependia do hábito. Aprendia-se a técnica, depois ela tornava-se algo mecânico, automático, hábito, como escovar os dentes. Aristóteles fazia a diferença entre: a) chrêsis: fazer para utilizar; b) gnosis: fazer para conhecer; c) frónesis: razão prática; d) sofia: razão teórica; e) ascholázein: a atividade; f) scholé: ócio.

10. Nas cidade de Atenas e Esparta prevalecia a formação do homem integral. Corpo e Espírito; ginástica e filosofia; Música e artes. Um espírito livre para criar, onde não havia lugar para educação profissional. As artes nobres eram a medicina e arquitetura. Hipócrates escreve tratados de medicina; Teofasto (370 a 287 a.C) discípulo de Aristóteles cria primeiro livro de Botânica; Euclides desenvolve os fundamentos da Geometria; os gregos por volta de 170 a.C iniciam a fabricação de pergaminhos de pele de animais.

11. Os romanos não valorizavam o trabalho manual, separando a direção deste tipo de trabalho da execução. Enfatizavam as formulações teóricas. Como era indigno um home livre trabalhar para viver, os romanos entregaram aos escravos a produção material necessária  a sua existência. No Império Romano o desenvolvimento técnico baseou-se nas grandes construções de aquedutos, templo, termas e vias.

12. Na Idade Média valorizou ainda o conhecimento teórico herdado dos gregos. O saber culminou na Teologia e Filosofia.A Filosofia buscou o conhecimento da Verdade. Ele somente descobriria pela revelação cristã. Agostinho (354 a 430 a.C) afirmava que a verdade e a procura de Deus eram a mesma coisa. Influenciado por Platão, a busca do conhecimento era por meio da fé na verdade revelada, nas Escrituras e na Teologia.

13. Com Tomás de Aquino, expoente do pensamento escolástico, que distinguiu as verdades de fé: as reveladas por Deus, das verdades naturais teológicas, alcançada pela razão dos sentidos – Deus existe. A escolástica pretendia apoiar a fé na razão, ou seja, a razão estava a serviço da fé. Por volta do século XII, os árabes desenvolveram estudos na astronomia, botânica, farmácia, agronomia, medicina.

Na parte 2 em breve será tratado a partir da Renascença os aspectos relacionados a sociedade e tecnologia.

Prof. Fabio N. Miranda -  fabioNmiranda.com.br

 

REFERÊNCIAS

GRISPUN, Miriam P. S. Educação Tecnológica. 3a. edição. SP: Ed. Cortez, 1999.

 

 

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