Embora o sócio-interacionismo de Vygotsky é de fato uma teoria fundamental, essa teoria foi desenvolvida numa época em que a tecnologia não desempenhava tanto impacto nas atividades de aprendizagem como nos dias de hoje (SIEMENS, 2005):

“No momento atual em que vivemos, Era da Informação, a tecnologia molda até mesmo o nosso modo de pensar, agir (e aprender), portanto, uma teoria que leve em conta as especificidades dos tempos atuais deve ser tomada, também, como referência para uma perspectiva mais contemporânea das estratégias de aprendizagem-ensino. ”

Diferentemente das principais teorias de aprendizado (Behaviorismo, Cognitivismo e Construtivismo), para os conectivistas a aprendizagem pode residir fora do indivíduo de modo que, em muitos casos somos impelidos a agir sem antes ter o domínio de determinado assunto. Em outras palavras, a ação pode ocorrer a partir da obtenção de informação externa ao conhecimento primário do indivíduo, resultado das conexões estabelecidas nas redes que fazem parte (Siemens, 2010).

Stephen Downes outro importante teórico do conectivismo, postula que a “aprendizagem ocorre em comunidades e que a prática da aprendizagem é a própria participação na comunidade” (Downes apud Mota, 2009). Para Downes, uma rede fruto de conexões entre pessoas, comunidades e conteúdos, constitui-se no aspecto fundamental da aprendizagem e pode ser qualificada enquanto uma rede bem sucedida quando apresenta as seguintes propriedades: descentralizadas; distribuídas; desintermediadas; com conteúdos e serviços des-integrados; democráticas; dinâmicas (fluidas) e inclusivas.

Os princípios de Siemens, 2005 são:

1. “A aprendizagem e conhecimento apóiam-se na diversidade de opiniões”. Ou seja, é na interação entre as várias visões de mundo dos aprendizes e professores da comunidade de aprendizagem que emergem as aprendizagens individuais, assim como, o conhecimento acumulado da rede.
2. “Aprendizagem é um processo de conectar nós especializados ou fontes de informação”. É na mobilização de fontes de referência, objetos de aprendizagem e os integrantes desta rede, para a resolução de problemas, que está o foco do processo de aprendizagem.
3. “Aprendizagem pode residir em dispositivos não humanos”. As ferramentas de interação ou os repositórios da rede de aprendizagem desempenham um papel importante no gerenciamento da inteligência coletiva. Vide .
4. “A capacidade de saber mais é mais crítica do que aquilo que é conhecido atualmente”. O foco está no aprender a aprender e não tanto nos conteúdos a serem aprendidos. Os conteúdos disciplinares, sem esvaziá-los ou desmerecê-los, são apenas as ferramentas para se aprender a aprender.
5. “É necessário cultivar e manter conexões para facilitar a aprendizagem contínua”. A rede de aprendizagem estende, para além do espaço e tempo escolar, as possibilidades de aprendizagens.
6. “A habilidade de enxergar conexões entre áreas, idéias e conceitos é uma habilidade  fundamental”. Desenvolver a competência de aprender a aprender é algo permanente e de fundamental importância numa sociedade que gera continuamente informações
7. “Atualização é a intenção de todas as atividades de aprendizagem conectivistas”. Flexibilização de programas, atividades e cursos estáticos. A constante interação na rede de aprendizagem produz sempre melhorias e mudanças na sua própria estrutura de constituição e funcionamento.
8. “A tomada de decisão é, por si só, um processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e o significado das informações que chegam é enxergar através das lentes de uma realidade em mudança”. Desenvolver autonomia intelectual é tão importante quanto a capacidade de aprender em redes colaborativas. Centrar o processo no aprendiz e não nas ferramentas ou nos professores é um dos princípios do conectivismo.

Críticos da suposta teoria, para Verhagen o conectivismo seria melhor classificado como uma perspectiva pedagógica e de currículo do que como uma teoria, pois às teorias cabem questões pertinentes ao nível da instrução, “como aprendem as pessoas” e o conectivismo, por sua vez, a seu ver, chega ao nível curricular, o que se aprende e porque se aprende? (Kop Hill, ibidem).

Ker reconhece que o advento das tecnologias de comunicação e informação tem de fato ampliado as possibilidades de colaboração e diálogo e, em muito beneficiado alunos e professores através da infinidade de aplicações da web e dos novos ambientes de aprendizagem. Entretanto, para ele, não significa propriamente que ocorreu uma inovação na Teoria da aprendizagem, o que mudou foi apenas a “escalabilidade da comunicação” (Kop Hill, op.cit.).

É necessário reflexões importantes na era digital, onde é preciso uma nova escalabilidade, já que o modo digital incita novas abordagens pedagógicas no processo de ensino-aprendizagem.

O e-book do expoente Sthepen Downes, está disponível no link (http://www.downes.ca/files/Connective_Knowledge-19May2012.pdf) para melhores esclarecimentos sobre esta abordagem pedagógica.

Prof. Fabio N. Miranda (fabioNmiranda.com.br)

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