Os múltiplos olhares a respeito da educação se faz necessário no atual cenário contemporâneo educacional. Dentre estes olhares pode-se destacar: endoculturação, socialização, educação. Abordar estes aspectos é fundamental no mundo pós-moderno em que todos os educadores estão inseridos.

Em relação ao conceito de endoculturação, pode-se depreender que é uma forma de transmissão e conservação das formas de convivência e organização física e espiritual de determinada comunidade. É um processo de inserção social mediado pela aprendizagem de valores, conceitos e práticas criadas pela humanidade no percurso de sua história.

De certa forma, a endoculturação possui uma relação com o conceito de socialização pelo fato de que no aprimorar os conhecimentos culturais, há a possibilidade de obter maior adaptação ao meio social. Ajudar os educandos a aprender a interagir com outras pessoas. Neste sentido, diz respeito à inclusão social como espaço aberto a comunidade.

Os autores Jaeder (1995) e Adorno (1995), procuram colocar a questão da educação como um processo de emancipação do homem com base em princípios universais e por meio do pensamento crítico sobre a informação formar o ser humano para a superação.

Nem tudo que aprendemos é educativo, formativo. Educação não é sinônimo de aprendizagem. Muito do que aprendemos é deseducativo. Não nascemos machistas. De alguma forma aprendemos estas coisas.

Os indivíduos parecem que são mais mal-educados, do que educados. Por exemplo: o homem é um ser competitivo por causa do mercado – capitalista. Pela aprendizagem você pode se educar ou deseducar; educação pela metade: o que permite isso?

Isso nos remete ao conceito de telos. τέλος do grego tem a ver com objetivo, propósito ou finalidade. Qual seria o telos da educação?. Este telos tem duas metas primordiais. A primeira: ser educados para obediência; a segunda: emancipação, liberdade, autonomia, transgressão. Como nas palavras de Rubens Alves: “para ser educador é preciso ser jequitibá e não eucalipto. Ou nos reeducamos ou a vida vai nos tornar pior”.

Nesta linha de pensamento sobre o fato da reeducação do individuo, é importante atentar para dois eixos fundamentais quando se trata da educação. Os conceitos de paidéia e bildung.

Paidéia para os grego era o ideal que conjugava a formação moral e a ação política como pressupostos da humanização. Os gregos deram o nome de paidéia a todas as formas e criações espirituais e ao tesouro completo da sua tradição, tal como nós o designamos por Bildung ou pela palavra latina, cultura.

Segundo Werner Jaeger (2001), Paidéia era o “processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana” na Grécia  antiga. O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era este o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paidéia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto para o governante quanto para o governado. Não tinha como objetivo ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paidéia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade (Jaeger, 2001). Enfim, além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão.

No final do século XVIII, começou-se a firmar-se este novo ideal alemão, que vinha substituir todas as concepções anteriores de educação, ideal este expresso numa única palavra: Bildung (formação). Tal vocábulo não só representava todo um ideal formativo a ser perseguido, como retratava o que já se praticava na classe média superior alemã, e em algumas universidades. O conceito remete a ideia de auto formação e aperfeiçoamento individual, e representa a forma peculiarmente alemã de assimilação da herança individualista ocidental, com sua ênfase inigualável na liberdade de auto cultivo pessoal. Seu significado complexo e holístico indica um processo de formação espiritual, referente à forma interior que os seres humanos podem atingir ao desenvolverem suas aptidões através do contato intenso com os conteúdos espirituais de seu ambiente. Bildung implica valores, ethos, personalidade, autenticidade, humanidade. Enfim, é o processo de auto formação, de auto cultivo espiritual. Sobre o aspecto da educação e modernidade será visto posteriormente. É disso que abordaremos mais tarde.

Prof. Fabio Miranda – fabioNmiranda.com.br

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