O que é educação?

23 de abril de 2012

A resposta a esta pergunta levanta grandes questões no mundo pós-moderno. Vejamos algumas análises de expoentes da filosofia, sociologia e educação.

1. Max Horkheimer (Livro – Eclipse da Razão – Ascenção e declínio do indivíduo)

  1. A crise da razão se manifesta na crise do individuo. O individuo antes concebia a razão como instrumento do eu, hoje é o reverso. A máquina expulsou o maquinista (individuo).
  2. O individualismo pressupõe o sacrifício voluntário em nome da segurança. O poder social atualmente é mediado pelo poder das coisas. Quanto mais o individuo pensa nas coisas, mais é dominado por ele.
  3. Na Grécia Antiga o modelo do individuo é o herói grego. Autoconfiante, audaz. Este individuo floresceu na época da polis (cidade estado). A Polis facilitou de certa forma a ascensão do individuo ao estabelecer um equilíbrio entre a liberdade individual e o bem-estar da comunidade.
  4. Platão lança a ideia de que o homem e o estado são estruturas harmoniosas e independentes da inteligência. Platão entendia que cada estado tem suas funções e direitos. Grande parte da cosmogonia de Platão se baseia no fato de que toda a vida e existência são governadas por forças irresistíveis e inflexíveis.
  5. Platão afirma que o homem constrói a si mesmo (constrói suas habilidades inatas). Aristóteles diz que alguns nascem escravos e outros livres e que suas virtudes estão na obediência.
  6. Sócrates, o mais “negativo” dentre seus discípulos (Platão e Aristóteles),  foi o 1º. a afirmar autonomia do individuo. Para ele não bastava fazer as coisas certas, sem reflexão. A escolha consciente  era uma condição e um modo de vida ético.
  7. A sociedade helenista pregava o estoicismo – o bem mais valioso do home é a auto-suficiência. Desejar nada e não possuir tudo é o ponto principal.
  8. A individualidade é prejudicada quando cada homem resolve cuidar de si mesmo. Individuo isolado foi sempre uma ilusão. O individuo desenvolvido é a consumação de uma sociedade desenvolvida.
  9. O cristianismo criou o principio do individualismo por meio de sua doutrina da alma imortal, uma imagem de Deus. Mas ao mesmo tempo relativizou a individualidade mortal concreta. Para Hamlet o individuo é fútil.
  10. O liberalismo caracteriza-se por empresários independentes. Comerciantes e fabricantes tinham que estar preparados para eventos econômicos e sociais. Tinham de pensar em si mesmos, embora este pensamento era ilusório.
  11. Atualmente o homem acha mais difícil planejar para seus herdeiros e para seu futuro. O sujeito da razão individual tende a tornar-se um ego encolhido, cativo do presente. O futuro do individuo depende cada vez menos da sua própria prudência e mais das disputas pelo poder.
  12. O individuo entende que só existe um meio de progredir neste mundo: desistir de sua esperança de auto realização suprema. Isso ele atinge pela imitação, mimetismo. Só repete o que vê ao seu redor.
  13. A ideia de felicidade eterna reduziu-se a edificação religiosa, como uma atividade de passatempo. Faz parte do vocabulário da escola dominical.
  14. O pensamento que não serve para os negócios ou a um grupo é considerado inútil, supérfluo.
  15. A espontaneidade da classe operária está sendo perdida pela dissolução da individualidade.
  16. A tarefa das massas de nossos dias consiste não alicerçar-se aos padrões coletivos tradicionais, mas sim em reconhecer e oferecer resistência aos padrões monopolistas que se infiltram em suas próprias organizações e afetam suas mentes.
  17. O ser humano está tão incorporado às equipes, organizações que a especificidade (singularidade) de sua razão, está reprimida ou absorvida. Tanto o trabalhador quanto o empresário.
  18. Os lideres controlam o mercado de trabalho, assim como os chefes das grandes empresas controlam matérias-primas, as máquinas da produção. Os lideres operários manobram o operariado, manipulam o operário e são dependentes do sistema industrialista.
  19. A organização do operariado seja como um negócio completa o processo de reificação do homem. A força produtiva de um trabalhador não é apenas induzida pela fábrica ou pela tecnologia, mas pelas lideranças dos sindicatos operários.
  20. Os trabalhadores do passado não tinham conhecimento conceitual dos mecanismos revelados pela teoria social. Suas mentes subdesenvidas não eram continuamente marteladas pelas técnicas da cultura, mudando seus comportamentos. Atualmente os trabalhadores são bem treinados intelectualmente e menos ingênuos e não questionam as regras em si mesmas.
  21. Suas mentes estão fechadas para um sonho de um mundo melhor.
  22. Atualmente o operariado e o capital estão igualmente  preocupados em conservar e ampliar  o seu controle. Os tecnocratas sustentam que as superabundâncias de bens eliminaram automaticamente a miséria econômica. Eficiência, produtividade são os deuses do homem moderno.
  23. O engenheiro (símbolo desta época) não está interessado em compreender as coisas por si mesmas ou entende-las em si mesmas, mas sim aprender em função dentro um esquema. A mente do engenheiro é a mesma mente do industrial em forma tecnológica. O seu comando transformará homem em conjunto de instrumentos sem objetivos próprios.
  24. A deificação da atividade industrial não tem limites. Repousar é uma espécie de vício.
  25. Não é a tecnologia nem a autopreservação, nem a produção que devem ser responsabilizadas pelo DECLINIO DO INDIVIDUO, mas as FORMAS, as inter-relações dos homens dentro do industrialismo.
  26. O declínio do individuo não deve ser atribuído às realizações técnicas do homem nem do próprio homem, sim a atual estrutura e conteúdo da “mente objetiva”, o espírito que penetra a vida social em todos os seus setores.
  27. A mente objetiva de nossa época cultua a indústria, a tecnologia e a nacionalidade sem nenhum princípio que dê um sentido as essas categorias; espelha um sistema econômico que não aceita tréguas.
  28. A eficiência, critério moderno é a única justificativa da própria existência do individuo. Reside na capacidade de ser um dos nossos, impressionando os outros, vendendo sua imagem.
  29. Os tecnocratas defendem que quando as suas teorias forem postas na prática, as depressões serão resolvidas e os problemas econômicos desaparecerão.
  30. Quando a  indústria e a sociedade usam o lema da produção como uma credo religioso estão afirmando que a produção torna-se cada vez mais extremo, um meio de luta pelo poder.
  31. A irracionalidade ainda molda o destino dos homens. O funcionário sente segurança quando o governo, a corporação cuidará dele quando ele aposentar. Na verdade não existem zonas de segurança nas vias de transito social. Todos devem permanecer em movimento.
  32.  O empresário tornou-se um funcionário, um erudito tornou-se um especialista. O individuo não mais história pessoal.
  33. Sua existência intelectual se exaure nas pesquisas de opinião pública. Os indivíduos não são verdadeiramente indivíduos, mas criaturas geradas pela publicidade.
  34.  A disciplina industrial, o progresso tecnológico e o esclarecimento científico, os processos econômicos que estão causando a obliteração (destruição) da individualidade desejam a introdução de uma nova era na qual a individualidade possa emergir como um componente necessário numa forma de existência MENOS ideológica e mais humana.
  35. Os verdadeiros indivíduos do nosso tempo são mártires que atravessaram os infernos do sofrimento e da degradação em sua resistência à conquista e a opressão, e não as personalidades bombásticas da cultura popular, os diagnósticos convencionais.

 Prof. Fabio Miranda


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