Dentre um dos aspectos mais comentados em relação ao futuro da computação, trata-se do mundo pós-PC. Que mundo será esse? Observei uma reportagem extremamente interessante sobre o futuro do PC. Quero pensar e trazer para o mundo das tecnologias educacionais. Estamos vendo o surgimento de novas tecnologias móveis como tablets e smartphones em um mundo cada vez mais conectado. Gradualmente o mundo centralizado no PC, que durante 30 anos foi o ponto central da computação pessoal, está migrando para a computação em nuvem, onde o PC é um dos participantes. Não desaparece, mas perde sua relevância. Assim, nossos documentos, nossas fotos, nossa vida pessoal deixa de ser armazenada em discos rígidos dentro do PC ou laptop e passa a ficar dentro das nuvens.

Com os PCs, a computação mudou radicalmente. Passou de ferramenta disponivel apenas para especialistas à ferramenta para ser usada por qualquer um, em suas casas. Pequenas empresas passaram a ter condições de fazer planejamentos financeiros e administrar seus negócios com mais eficiência. Cerca de dez anos depois do lançamento do PC a computação pessoal estava inserida no dia a dia de milhões e milhões de pessoas, transformando a vida delas de forma tão profunda quanto a provocada décadas antes pelos telefones e televisores.

O mundo que podemos chamar pós-PC passa a ser Personal Cloud é um novo estilo de usarmos computadores. Deixamos de ser dependentes de um único aparelho, o onipresente Personal Computer, para ter acesso aos nossos documentos, fotos e aplicativos a partir de qualquer dispositivo, em qualquer lugar. É uma viagem sem retorno. Os usuários estão cada vez mais acostumados com as facilidades proporcionadas pela mobilidade e as interfaces touchscreen. A próxima geração digital talvez nem saiba mais usar um mouse e muito menos conseguirá imaginar porque era necessário copiar um arquivo para um pendrive para levá-lo a outra máquina. Smartphones não usam pendrives!

Os computadores móveis, como tablets e smartphones, estão cada vez mais intuitivos e não demandam especialistas para instalá-los e configurá-los. Alguém conhece no mercado um curso de Facebook ou iPhone? Os próprios usuários entram nas App Stores e escolhem, eles mesmos, os aplicativos que querem e trocam idéias e sugestões entre si por meio das mídias sociais. São independentes.

Segundo, os usuários hoje escolhem para seus smartphones e tablets os aplicativos que querem, com interfaces intuitivas. Por outro lado, nas empresas, eles têm que lidar com muitas barreiras para acessar sistemas internos e precisam de cursos de treinamento de vários dias para poder usá-los.

Na verdade estamos dando os primeiros passos em direção ao mundo do Personal Coud, onde, não mais o PC, mas a nuvem será o centro das informações e dos serviços de computação. Saímos do mundo dos equipamentos para o mundo dos serviços. Cloud Computing é, em última instância, a TI-as-a-Service. Para a TI do mundo corporativo isto significa que cada usuário, seja ele funcionário ou cliente, vai demandar acesso aos seus sistemas de qualquer dispositivo, em qualquer lugar. E ele mesmo quer se servir destes serviços. Neste cenário, TI deverá aparecer para seus usuários como uma nuvem.

Como educar nossos alunos tendo como base este novo estilo de computação? Algumas perguntas nos fazem refletir muito. Nossos alunos deveriam acessar nossas aulas diretamente nas nuvens ou somente no quadro ou na lousa antiga? Os professores estão preparando suas aulas pensando que depois que o aluno sai da sala de aula ele vai para a nuvem? A nuvem contribui ou piora nossas aulas? Nossas aulas estão dinamicamente conectadas com as ferramentas e mídias extras da nuvem? Para os alunos de computação, eles poderiam fazer o “dever de casa” diretamente nas nuvens com a colaboração e a participação da moderação do professor?

Pensemos sobre este novo cenário. Nossas aulas precisam mudar e se contextualizar urgentemente.

Prof. Fabio Miranda

fabioNmiranda.com.br

 

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*